Dobre ao meio uma folha de papel A4. Depois dobre novamente, e siga
dobrando ao meio enquanto puder. Vai ficando um retângulo cada vez
menor, mas de espessura cada vez maior. Com isso, em certo momento será
difícil fazer a próxima dobra. A sétima dobra já é praticamente
impossível. Mas imagine que você tivesse uma folha que pudesse ser
dobrada sem dificuldades quantas vezes você desejasse. E se quiséssemos
que esta folha dobrada alcançasse a Lua? Quantas dobras seriam
necessárias para que a espessura final fosse maior que os quase 400 mil
km que separam a Terra da Lua? Um milhão? Não. Bastaria dobrar 42 vezes.
E com 43 dobras você teria a ida e a volta da Lua. Não acredita? Em uma
calculadora, insira 0,1 e vá multiplicando por 2 quarenta e
duas vezes. Lembre-se de converter de mm para km. Com a matemática e
uma boa dose de imaginação, uma folha de papel pode levá-lo até a Lua!
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
VAMOS FAZER AS CONTAS?
Temos os seguintes dados:
Espessura da folha de papel: 0,1 milímetros;
Distância da Terra à Lua: 384.405 km.
Você pode colocar na sua calculadora 0,1 (milímetros) e multiplicar por 2 quarenta e duas vezes.
Vai obter 438.904.651.110,4 (milímetros), o que equivale a mais de 400 mil quilômetros.
Mas vamos chegar a este número efetuando menos operações.
Precisamos calcular
0,1 × 2 × 2 × 2 × ... × 2 × 2
onde multiplicamos por 2 quarenta e duas vezes, isto é, queremos descobrir quanto é 0,1 × 242.
Finalmente, para obter 242 basta multiplicar este último número por dois mais duas vezes:
1.099.511.627.776 × 2 × 2 = 4.389.046.511.104.
Então, multiplicando 0,1 mm por 242 obtemos
438.904.651.110,4 milímetros, o que equivale a 438.904.651,1104 metros ou, ainda,
438.904,6511104 quilômetros, mais que 400 mil quilômetros!
Se dobrar uma vez mais, teremos quilômetros suficientes para ir e voltar da Lua! Incrível, não é?
Por trás desses fatos surpreendentes estão as propriedades do crescimento exponencial.
Saiba mais sobre crescimento exponencial acessando o link:
http://www.uff.br/cdme/exponencial/.
Bill Gates pobre: bilionário revela o que faria se tivesse que viver com apenas R$7 por dia
Infelizmente,
vivemos em um mundo desigual. Muitas pessoas ao redor do planeta
precisam se sustentar e também suas famílias com muito pouco ou quase
nenhum dinheiro todos os dias. Bill Gates certamente não está neste
grupo de pessoas. Pelo contrário: o criador da Microsoft foi por muito
tempo considerado o homem mais rico do planeta. Porém, através da
fundação que criou ao lado da mulher, Melinda Gates, o bilionário diz
trabalhar como um “impaciente otimista” para reduzir a desigualdade no
mundo.
A fundação Bill e Melinda Gates é, na verdade, a maior fundação de
caridade do planeta, com ativos estimados na casa de 37 bilhões de
dólares. No texto abaixo, usado para uma campanha da fundação, Bill
Gates diz o que faria caso precisasse viver com apenas dois dólares por
dia – uma realidade que milhões de pessoas enfrentam em suas vidas
cotidianas.
“Se você estivesse vivendo com dois dólares por dia, o que você faria para melhorar sua vida?
Essa é uma pergunta real para quase 1 bilhão de pessoas que vivem em
extrema pobreza hoje. Não há uma resposta certa, é claro, e a pobreza
parece diferente em diferentes lugares. Mas através do meu trabalho com a
fundação, conheci muitas pessoas em países pobres que criam galinhas e
aprendi muito sobre os prós e contras de possuir essas aves- como um
menino da cidade de Seattle, eu tinha muito a aprender!. É bastante
claro para mim que praticamente qualquer pessoa que esteja vivendo em
extrema pobreza estaria melhor se tivesse galinhas.Na verdade, se eu estivesse na situação delas, era o que eu faria – eu iria criar galinhas.
Aqui está o porquê:
– Elas são fáceis e baratas de cuidar. Muitas raças podem comer o que
encontram no chão (embora seja melhor se você puder alimentá-las,
porque elas crescerão mais rapidamente). As galinhas precisam de algum
tipo de abrigo onde possam aninhar e, à medida que sua granja cresce,
você pode querer um pouco de madeira e arame para fazer um viveiro.
Finalmente, as galinhas precisam de algumas poucas vacinas. A que impede
a mortal doença de Newcastle custa menos de 20 centavos.
Elas são um bom investimento. Suponha que uma novo fazendeira comece
com cinco galinhas. Um dos seus vizinhos possui um galo para fertilizar
os ovos das galinhas. Depois de três meses, ela pode ter um grupo de 40
filhotes. Eventualmente, com um preço de venda de 5 dólares por frango –
o que é típico na África Ocidental – ela pode ganhar mais de 1.000
dólares por ano, acima da linha de pobreza extrema, que é de cerca de
700 dólares por ano.
Elas ajudam a manter as crianças saudáveis. A desnutrição mata mais
de 3,1 milhões de crianças por ano. Embora comer mais ovos – que são
ricos em proteínas e outros nutrientes – possa ajudar a combater a
desnutrição, muitos agricultores com granjas pequenas acham que é mais
econômico deixar os frangos nascerem, vendê-los e usar o dinheiro para
comprar alimentos nutritivos. Mas se a granja de uma fazendeira é grande
o suficiente para dar ovos extras, ou se ela tiver alguns quebrados,
ela pode decidir cozinhar para sua família.
Elas capacitam as mulheres. Como as galinhas são pequenas e,
tipicamente, ficam perto de casa, muitas culturas as consideram como um
animal das mulheres, em contraste com animais maiores, como cabras ou
vacas. As mulheres que vendem galinhas provavelmente reinvestem os
lucros em suas famílias.
O Dr. Batamaka Somé, um antropólogo de Burkina Faso que trabalhou com
nossa fundação, passou grande parte de sua carreira estudando o impacto
econômico da criação de galinhas em seu país de origem. Neste vídeo,
ele explica por que ele é tão apaixonado por aves domésticas (o vídeo
tem legendas em inglês).
Uma grande aposta em galinhas
“Nossa fundação está apostando em galinhas. Ao lado de parceiros em
toda a África subsaariana, estamos trabalhando para criar sistemas de
mercado sustentável para aves domésticas. É especialmente importante
para esses sistemas garantir que os agricultores possam comprar aves que
foram devidamente vacinadas e que se adequam às condições de
crescimento local. Nosso objetivo: ajudar 30% das famílias rurais na
África subsaariana a aumentar as raças melhoradas de galinhas vacinadas,
acima dos apenas 5% atualmente.
Quando eu estava crescendo, as galinhas não eram algo que você
estudava, eram algo com quem você faz piadas tolas. Tem sido uma
abertura para mim saber qual a diferença que elas podem fazer na luta
contra a pobreza. Parece engraçado, mas eu falo sério quando digo que
estou entusiasmado com as galinhas”. [Gates Notes] - Fonte: HScyence - Nov/17)
14 Benefícios do Rabanete – Para Que Serve e Propriedades
Com
um gostinho apimentado, o rabanete é um vegetal apreciado há tempos na
culinária mundial. Prova disso é que os gregos e romanos o consumiam com
mel e vinagre e que ele é mencionado em livros chineses que datam de
2.700 a.C.
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Hoje
nós vamos conhecer o que é que esse vegetal tem de bom: descobriremos
quais suas propriedades, para que serve e quais os benefícios do
rabanete.
Propriedades Nutricionais do Rabanete
Em 100g do alimento:
Energia: 16 calorias
Carboidratos: 3,4 g
Proteínas: 0,7 g
Gorduras: 0,1 g
Fibras: 1,6 g
E
nutrientes como fibras, proteínas, potássio, cálcio, magnésio, fósforo,
cobre, zinco, vitamina B6, vitamina B9, vitamina C e vitamina K em sua
composição
14 Benefícios do Rabanete – Para Que Serve e Propriedades
Veremos agora como o rabanete pode ajudar a saúde e boa forma. Os benefícios do rabanete são surpreendentes.
1 – Combate ao câncer
O
rabanete possui um composto chamado isotiocianato que já foi apontado
como uma substância eficiente no combate de alguns tipos de câncer.
Pesquisadores
da Universidade Tecnológica de Jawaharlal Nehru, na Índia, fizeram um
experimento em que várias partes do vegetal foram testadas em células
cancerígenas de seres humanos. A conclusão dos cientistas foi que
componentes tanto da raiz quanto do bulbo do rabanete afetam essas
células, o que pode contribuir para a sua destruição.
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2 – Perda de peso
Para
quem deseja restringir as calorias de sua dieta para perder peso, o
rabanete é uma ótima aquisição para os cardápios das refeições. Como
vimos no início do texto, além de ser pobre em calorias, ele fornece
diversos nutrientes que o corpo precisa para funcionar direitinho.
Além disso, o vegetal é fonte de fibras, que promovem a sensação de saciedade ao organismo e ajudam a controlar o apetite
e, por consequência, a diminuir a ingestão de calorias. Ele ainda
possui um índice glicêmico considerado baixo, o que significa que sua
digestão é mais demorada e que ele não causa picos e quedas bruscas na taxa de glicose no sangue, o que geralmente estimula a fome e também é vantajoso para pessoas que sofrem de diabetes.
3 – Ajuda no tratamento da icterícia
A
icterícia é causada pelo acúmulo de bilirrubina no corpo, uma
substância amarelada formada através da morte dos glóbulos vermelhos do
sangue e produzida na bile. Podemos dizer que um dos benefícios do
rabanete é ajudar no tratamento da doença por conta de sua ação
desintoxicante que purifica o sangue e elimina toxinas e resíduos
desnecessários.
Com isso, ela remove a bilirrubina,
mantendo seus níveis sob controle, e diminui a quantidade de glóbulos
vermelhos que são destruídos no organismo.
4 – Auxílio a problemas urinários
Outro dos benefícios do rabanete é que ele possui efeito diurético,
ou seja, estimula a liberação de urina, o que é ótima para quem sofre
com dificuldades para fazer xixi. Ele também cura a inflamação e a
sensação de queimação que pode surgir na hora de urinar.
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Ao promover uma ação de limpeza nos rins, o alimento previne o surgimento de infecções nos órgãos e no sistema urinário.
5 – Saúde cardiovascular
O
rabanete possui antocianinas em sua composição, substâncias com ação
antioxidante que já foram associadas à diminuição do surgimento de
doenças cardiovasculares. Além disso, o seu consumo está associado a
redução da homocisteína, uma substância que aumenta o risco do
desenvolvimento de problemas cardiovasculares.
6 – Faz bem ao funcionamento do intestino
Por ser rico em fibras, o vegetal melhora o volume dos movimentos intestinais, o que traz alívio quanto aos sintomas da prisão de ventre. Outro benefício do rabanete nesse sentido é que ele combate o intestino solto.
Além
disso, o alimento estimula a produção da bile, um fluido produzido no
fígado que participa do processo de digestão de gorduras e absorção de
nutrientes e ajuda a proteger o fígado e a vesícula biliar.
O
rabanete combate a congestão do sistema respiratório, o que reduz
problemas como a irritação do nariz, pulmões e traqueia em decorrência
de alergias, resfriados e infecções. Por ser fonte de vitaminas, ele
ainda auxilia o sistema respiratório na proteção contra futuras
infecções.
Ele também colabora com a eliminação do excesso de muco e alivia dores na garganta.
8 – Pressão arterial
O alimento é fonte de potássio,
um nutriente que promove o relaxamento dos vasos sanguíneos, o que
diminui a circulação sanguínea e, por consequência, a pressão arterial. O
rabanete também é fonte de nitratos, que são convertidos em óxido
nítrico no organismo e dilatam os vasos sanguíneos e diminuem as chances
de que haja formação de coágulo no sangue.
9 – Pele saudável
O
vegetal possui um alto teor de água, o que ajuda a manter a hidratação
da pele. Vitaminas do complexo B, vitamina C, fósforo e zinco também
fazem bem à saúde da pele e estão presentes no rabanete.
10 – Tratamento da febre
Um
dos benefícios do rabanete está ligado à febre. É que ele consegue
abaixar a temperatura corporal e alivia as inflamações que acompanham a
febre. Uma dica de remédio caseiro com o rabanete para tratar o problema
é preparar um suco a partir dele e misturar com sal preto.
11 – Trata mordidas de insetos
O
rabanete tem ação antipruriginosa, ou seja, combate a coceira em
excesso que pode ser causada por mordidas de insetos. O suco preparado a
partir do alimento ainda ajuda a reduzir a dor e o inchaço e traz
suavidade à região do corpo que foi afetada.
12 – Sistema imunológico
Ele
é fonte de vitamina C, um nutriente que estimula a eficiência do
sistema imunológico ao fornecer antioxidantes e estimular a produção de
glóbulos brancos que são importantes para o mecanismo de defesa do corpo
contra problemas que vão desde resfriados até o câncer.
13 – Saúde do fígado e da vesícula biliar
O
consumo regular de rabanetes protege o fígado e a vesícula biliar
contra o aparecimento de úlceras e infecções. O alimento ainda é visto
como fundamental no tratamento da esteatose hepática, uma condição
caracterizada pelo acúmulo de gordura dentro das células do fígado e,
graças ao seu sabor picante, aumenta a secreção da bile no fígado.
A
bile é um componente líquido produzido no interior do fígaro que é
responsável pela digestão de gorduras e absorção de nutrientes oriundos
dos alimentos consumidos.
14 – Ganho de massa muscular
O rabanete é uma boa opção de vegetal para acompanhar uma refeição que visa o ganho de massa muscular por ser fonte de proteínas, um elemento essencial para a construção e reparação dos músculos.
Além
disso, o vegetal também pode ajudar no fornecimento de energia para o
treino, por se tratar de uma boa fonte de carboidratos, já que possui um
baixo índice glicêmico.
Todo
mundo sabe que cães fazem bem para a saúde e para o bem-estar – pelo
menos todos os donos de cães. Agora, cientistas suecos acabaram de
encontrar mais uma prova disso. Usando registros de mais de 3,4 milhões
de pessoas de 40 a 80 anos, eles estudaram uma possível associação entre
ter um amigo canino e a saúde cardiovascular dos seres humanos. Os
resultados foram os esperados: proprietários de cães tiveram um menor
risco de morte devido a doenças cardiovasculares, ou mesmo devido outras
causas, durante o acompanhamento de 12 anos. Todos os indivíduos
incluídos no estudo em 2001 não tinham doença cardiovascular prévia.
Os pesquisadores descobriram que cães podem ajudar especialmente as
pessoas mais solitárias. “Uma descoberta muito interessante em nosso
estudo foi que a propriedade de cães era especialmente importante como
um fator protetor nas pessoas que viviam sozinhas, que é um grupo que já
foi descrito anteriormente como tendo maior risco de doença
cardiovascular e morte do que aqueles que vivem em uma casa com mais
pessoas”, aponta Mwenya Mubanga, principal autora do estudo e doutora no
Departamento de Ciências Médicas e do Laboratório de Ciência para Vida
da Universidade de Uppsala, na Suécia.
Os resultados mostraram que os donos de cães tinham uma redução de
33% no risco de morte e uma redução de 11% no risco de doença
cardiovascular durante o acompanhamento comparados com pessoas que não
possuíam cães.
Possíveis causas
O registro de cães domésticos é obrigatório na Suécia desde 2001. Os
cientistas realizaram a pesquisa comparando estes dados com o
diagnóstico de doença cardiovascular ou morte por qualquer causa nos
hospitais do país.
“Este tipo de estudo epidemiológico procura associações em grandes
populações, mas não fornece respostas sobre se e como os cães podem
proteger das doenças cardiovasculares. Sabemos que os donos de cães em
geral têm um nível mais alto de atividade física, o que poderia ser uma
explicação para a resultados observados. Outras explicações incluem um
aumento do bem-estar e contatos sociais ou efeitos do cão no microbioma
bacteriano no proprietário”, diz Tove Fall, autor sênior do estudo e
professor de Epidemiologia do Departamento de Ciências Médicas e
Laboratório de Ciência para Vida da Universidade de Uppsala.
Por outro lado, o estudo também pode indicar uma relação inversa:
pessoas que escolhem ter cachorros são mais ativas e saudáveis. “Também
pode haver diferenças entre proprietários e não proprietários já antes
de comprar um cachorro, o que poderia ter influenciado nossos
resultados, como o fato de pessoas que escolhem ter um cachorro terem a
tendência a ser mais ativas e ter melhor saúde”, observa Fall. De
qualquer forma, cachorros são um sinal de uma vida mais saudável. [Medical Xpress]
No
dia 11 de novembro de 2017 começou a valer a tão falada reforma
trabalhista, que altera várias regras de trabalho regidas pela CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas.
Isso significa que não há alterações, por exemplo, para quem é servidor público ou autônomo.
É importante perceber que as novas regras valerão para todos os contratos de trabalho vigentes, sejam os antigos, ou os novos.
Inicialmente,
deixa-se claro que questões relacionadas a salário mínimo, 13º salário,
seguro-desemprego, benefícios previdenciários, licença-maternidade e
normas relacionados à segurança e saúde do trabalhador não foram
alteradas.
O que se alterou principalmente foi a criação de novas
modalidades de trabalho, como o intermitente (por período trabalhado) e
o home office (ou, trabalho remoto), além de mudanças nas férias,
jornada de trabalho, remuneração e plano de carreira.
Quanto às
Ações Trabalhistas, serão julgadas com maior rigor, afastando invenções e
má-fé de alguns trabalhadores. Além disso, na questão sindical, não
existe mais a obrigatoriedade de pagar anualmente uma contribuição ao
Sindicato.
Prestigiou-se agora o que é acordado entre as partes/sindicatos, em detrimento da lei trabalhista. Abaixo apresentaremos as principais mudanças no dia a dia do seu trabalho. Veja: 1) Ações na Justiça do Trabalho
A
partir de agora, o trabalhador que faltar a uma audiência, ou perder a
ação na Justiça do Trabalho será, em regra, obrigado a pagar custas
processuais e honorários da parte contrária, assim como acontece na
chamada Justiça Comum.
Se o juiz entender que o trabalhador agiu de má fé, poderá condená-lo ao pagamento de uma indenização.
Quanto
aos Danos Morais que o patrão pode ser condenado em caso de ofensa
grave ao trabalhador, será limitado a 50 vezes o último salário deste
trabalhador. 2) Intervalo para refeição e descanso.
Agora
não é mais obrigatório o intervalo de 1 hora diária. Pode ser negociado
até o mínimo de 30 minutos por dia, para quem trabalha diariamente por
mais de 6 horas. 3) Tempo para higiene pessoal, troca de uniforme e transporte
Não
será mais considerado como tempo de trabalho – e portanto não será
considerado como hora extra – o tempo de transporte do empregado até a
empresa e da empresa até sua casa, bem como para troca de uniformes,
higiene pessoal, lanche, descanso, convivência com colegas, ou qualquer
outro que não seja efetivamente trabalhando. 4) Férias
As
férias agora poderão ser parceladas em até 3 períodos, com a condição
de que um dos períodos seja maior do que 14 dias e os outros dois tenham
pelo menos 5 dias cada.
Com relação ao início das férias, não poderão começar nos 2 dias antes de um feriado e nem antes do descanso semanal. 5) Acordo para Demissão (Demissão consensual)
Agora
é válido pelas leis trabalhistas o acordo entre as partes para o fim da
relação de trabalho. Assim, criou-se a possibilidade de acordo, com
pagamento de metade do aviso prévio, mais metade da multa de 40% sobre o
FGTS.
Nesse caso, o trabalhador poderá movimentar apenas até 80%
do valor depositado na conta do FGTS e não terá direito ao
seguro-desemprego. 6) Homologação do fim do contrato de trabalho
A
homologação do fim do contrato de trabalho poderá ser feita apenas na
empresa, não sendo mais necessário acontecer nos Sindicatos, ou no
Ministério do trabalho. 7) Banco de horas (para hora extra e folga)
O
trabalhador e o patrão poderá negociar diretamente entre si a
compensação das horas extras, por meio de folgas, desde que dentro do
período máximo de 6 meses. Se as folgas não forem dadas no prazo, o
patrão deverá pagar as horas extras, acrescidas de 50% do valor normal. 8) Contribuição financeira para o sindicato
Não é mais obrigatória a contribuição financeira para o Sindicato, que era no valor equivalente a um dia de trabalho. 9) Contratação de autônomos pelas empresas
Não haverá vínculo de emprego na contratação de profissionais autônomos, mesmo com relação de exclusividade e continuidade. 10) Terceirização das atividades
Pode-se terceirizar todas as atividades.
Neste
tema estabeleceu-se um período de 18 meses que impede que a empresa
demita o trabalhador efetivo para recontratá-lo como terceirizado.
Além
disso, o trabalhador terceirizado deverá possuir as mesmas condições de
trabalho dos funcionários da empresa que terceiriza, incluindo
atendimento em ambulatório, alimentação em local adequado, segurança,
transporte, capacitação técnica e qualidade de equipamentos. 11) O negociado pelos sindicatos
O
que for negociado pelos sindicatos prevalecerão sobre a lei, nos pontos
como jornada de trabalho, intervalo, plano de carreira, home office,
trabalho intermitente, remuneração por produtividade e, por fim, licença
maternidade e paternidade. 12) Jornada de 12 horas de trabalho por 36 de descanso (12x36)
Havendo
acordo entre patrão e funcionário, qualquer trabalhador por fazer a
jornada 12x36, na qual trabalha 12 horas seguidas em um único dia e
depois descansa por 36 horas. 13) Jornada em regime parcial
Agora
pode haver trabalho em regime parcial, que é uma jornada de até 30
horas por semana, sem horas extras, ou, em outra modalidade, 26 horas
semanais, podendo ter 6 horas extras, pagas com 50 % de acréscimo sobre o
valor das horas normais. 14) Remuneração por produtividade
Para
os trabalhadores que recebem por produtividade não é necessário ter um
salário mínimo, sendo que patrão e empregado poderão negociar todas as
formas de remuneração não obrigatórias ao salário. 15) Gorjetas e comissões: não fazem parte do salário
As
verbas de Comissões, gorjetas, prêmios, ajuda de custo - como
auxílio-alimentação e diárias - não são mais consideradas verbas
salariais. Com isso, sobre elas não incidirão encargos trabalhistas,
como FGTS e INSS. 16) Validade das negociações dos Sindicatos
As
negociações entre empresas e sindicatos terão prazos de validade
definidos pelas partes. Os direitos definidos em convenções ou acordos
valerão apenas durante estes prazos, depois deverão ser novamente
negociados. 17) Termo de quitação anual
Patrão
e empregado, perante o sindicato, poderão firmar o termo de quitação
anual, escrevendo todas as obrigações cumpridas mensalmente pelas
partes.
O empregado poderá questionar irregularidades na justiça, mas terá que prova-las, por meio de testemunhas e documentos. 18) Plano de Demissão Voluntária
Para
que o trabalhador faça parte do PDV – Plano de Demissão Voluntária –
dará quitação plena e irrevogável dos direitos referentes à relação
empregatícia. Isso significa que não poderá entrar na Justiça do
Trabalho para pedir direitos depois disso. 19) Gestantes e lactantes
É
permitido que gestantes e lactantes trabalhem em atividades insalubres,
desde que sejam de grau mínimo ou médio – ou seja, no grau máximo não é
permitido -. Por outro lado, podem ser liberadas de tais atividades se
apresentarem atestado médico que recomende o afastamento de tais
atividades durante o período de gestação ou lactação. 20) Equiparação salarial: só trabalho em mesmo estabelecimento
Para
que haja a equiparação salarial, os empregados devem trabalhar no mesmo
estabelecimento, exercendo as mesmas atividades. Não vale para quem
trabalha em empresas diferentes do mesmo grupo econômico e nem usar como
base e equiparação salarial conseguida anteriormente na justiça, por um
colega de trabalho. 21) Plano de carreira
O
plano de carreira não pode ser negociado diretamente com quem recebe
menos do que duas vezes o teto do INSS (R$ 11.062,62), devendo o plano
de cargos e salários ser negociado por meio dos sindicatos.
Por
outro lado, para quem receba mais do que o mencionado valor, poderá ser
negociado entre patrões e funcionários sem necessidade de homologação
nem registro em contrato, podendo inclusive ser mudado constantemente. 22) Home office (trabalho remoto)
Neste
tipo de trabalho não haverá um controle da jornada e o trabalhador
receberá por tarefa cumprida. No contrato firmado entre as partes deve
estar escrito o que será feito e a responsabilidade pelas despesas
relacionadas. Veja ainda que o fato do trabalhador comparecer às
dependências do empregador para a realização de atividades especificas
não descaracteriza o home office. 23) Trabalho intermitente
Neste
tipo de trabalho, o funcionário recebe por período trabalhado, o
chamado salário-hora, que deve ser, no mínimo, igual ao que recebe os
profissionais que exerçam a mesma função na empresa e ao salário mínimo.
Este trabalhador terá direito a férias, FGTS, previdência e 13º salário
proporcionais.
Por fim, é necessário dizer que muitos juízes
trabalhistas afirmam que não aplicarão muitas das regras reformadas,
pois apontam conflitos com a Constituição da República e/ou com acordos internacionais. Os próximos meses ainda serão de incertezas.
Entre
os pontos de maior conflito estão terceirização, trabalhos intermitente
e o insalubre para gestante e lactante, tarifação de dano moral e parte
de itens de prevalência do negociado sobre o legislado. Magistrados advertem que pontos não vão 'pegar'
A reforma enfrenta resistência de parte dos juízes do Trabalho, que apontam pontos em conflito com a Constituição
ou com acordos firmados internacionalmente. Magistrados e advogados
consideram que os primeiros meses das novas regras podem provocar
incerteza jurídica e dificultando o planejamento das empresas.
Entre
os pontos mais citados estão terceirização, trabalhos intermitente e o
insalubre para gestante e lactante, tarifação de dano moral e parte de
itens de prevalência do negociado sobre o legislado. Modificações feitas pela Medida Provisória nº 808
Por fim, ressalta-se que parte destas alterações mal entraram em vigor e já foram modificadas pela MP nº 808.
Neste
contexto, algumas das mudanças previstas na MP se referem ao trabalho
autônomo, trabalho intermitente e exercício de atividades por gestantes
em locais insalubres. Veja: Autônomo
O
contrato de exclusividade é proibido, sob o risco de se considerar uma
relação de emprego e o patrão ser obrigado a assinar a Carteira de
Trabalho do autônomo. Além de poder prestar serviços para diversos
contratantes, o autônomo poderá recusar a realização de atividades
requeridas pelo contratante.
Como exemplo de atividades, corretor
de imóvel, motorista, representante comercial, além de outras
categorias poderão ser contratados como autônomos Trabalho intermitente
Reforça os direitos do trabalhador intermitente, estabelecendo o direito de aviso prévio. Gestantes
Por
essa alteração, as Gestantes deverão ser afastadas do trabalho
insalubre, independente do grau de insalubridade e não receberão,
portanto, o adicional de insalubridade.
No entanto, agora abre-se
a possibilidade da gestante voltar a trabalhar em local insalubre,
desde que de grau médio ou mínimo – no grau máximo não pode -. Para
retornar deverá, voluntariamente apresentar atestado médico de
profissional que confie, liberando essa trabalhadora para estas
atividades. Danos morais
Mudou-se o
parâmetro para cálculo dos Danos Morais. Pela MP, serão calculados com
base no limite dos benefícios da Previdência Social, deixam de ser
calculados pelo último salário do trabalhador. Agora, oficialmente,
ofensas à orientação sexual, gênero, etnia, idade e nacionalidade,
passam a fazer parte da lista oficial de danos que podem originar
pedidos de indenizações por Danos Morais. Trabalho 12 por 36 horas
O
acordo individual por escrito pode ser feito apenas entre os
profissionais e empresas do setor de saúde. Assim, para os demais casos,
Patrão e funcionários poderão combinar a jornada de 12 horas de
trabalho com 36 horas de descanso apenas por meio de convenção coletiva
ou acordo coletivo de trabalho, por meio dos Sindicatos. Permanência da Função dos Sindicatos
A comissão de empregados não substituirá a função dos sindicatos na defesa dos interesses da categoria de trabalhadores.
Por Marcílio Guedes Drummond - – Advogado Sócio do Guedes Drummond Advogados - Contato: mhgd.ufmg@gmail.com / Fan Page (acesse aqui).
Fonte: Seu Jurídico
Marcelo Averbach é médico cirurgião do aparelho
digestivo. Atualmente, atua na área de Clínica Cirúrgica e
Coloproctologia e faz parte da equipe que trabalha no Hospital
Sírio-Libanês de São Paulo (SP).
O
aparelho digestório é constituído por diversos órgãos integrados e com
função específica. A porta de entrada é a boca – onde estão a língua, os dentes e as glândulas salivares – seguida pela faringe, esôfago, estômago, fígado, pâncreas, intestino delgadoe grosso,
até desembocar no ânus. A imagem 1 mostra o esôfago (tubo separado do
estômago pela válvula cárdia), o estômago aberto por um corte
longitudinal e o duodeno. Logo acima está situado o fígado, glândula que secreta a bile e, em verde, a vesícula biliar, órgão em forma de pêra, colado sob o lobo direito do fígado.
A bile sai do fígado pelo canal hepático que se une ao canal cístico
proveniente da vesícula biliar, onde é armazenada ( imagem 2). Juntos,
os canais cístico e hepático formam o ducto colédoco.
Quando o bolo alimentar alcança o duodeno, primeira porção do intestino
delgado, provoca um estímulo na vesícula biliar, que se contrai e joga a
bile na luz do duodeno para facilitar a digestão das gorduras. Outra
glândula importante é o pâncreas que, além da insulina, secreta enzimas
digestivas que são lançadas no duodeno pelos canais de Wirsung e de
Sartori. O canal de Wirsung e o ducto colédoco desembocam no duodeno
muito perto um do outro e isso tem importância para a localização da
litíase biliar, ou seja, das pedras na vesícula. FUNÇÃO DA BILE Drauzio – Qual é a função da bile? Marcelo Averbach – O fígado produz a bile, que passa
pelos canais hepáticos e chega à vesícula biliar onde é armazenada.
Quando o alimento, especialmente o alimento gorduroso, alcança o
duodeno, gera a produção de alguns hormônios que estimulam a contração
da vesícula, fazendo-a lançar seu conteúdo dentro do duodeno para ajudar
na emulsificação das gorduras. Na verdade, a bile atua como um
detergente, facilitando a digestão e a absorção das substâncias
gordurosas. Drauzio – Muitas pessoas se queixam de sensação de peso no estômago quando comem alimentos gordurosos. Por que isso acontece? Marcelo Averbach
– Gordura é uma substância difícil de ser digerida e difícil de ser
absorvida. Muitas vezes, as pessoas que se queixam de empachamento ou
distensão de abdômen, quando comem alimentos gordurosos, apresentam uma
vesícula doente, com cálculos ou com dificuldade de eliminar a bile. COMPOSIÇÃO E INCIDÊNCIA Drauzio – Por que se formam cálculos biliares, também conhecidos como pedras na vesícula? Marcelo Averbach – A bile é uma solução de várias
substâncias. Seu principal componente é a água, mas vale a pena destacar
também o colesterol, os sais biliares e os bilirrubinatos. Essa
solução, como todas as outras, quando fica saturada, se precipita. Se
colocarmos um pouquinho de açúcar num copo com água e misturarmos bem,
ele se dissolve completamente. Porém, se adicionarmos mais açúcar, ele
acabará se sedimentando no fundo do copo. A mesma coisa acontece com a
bile hipersaturada com sais biliares e colesterol, cujos cristais se
precipitam e vão compor os cálculos biliares. Drauzio – Todas as pessoas formam cálculos biliares? Marcelo Averbach – Não. Dados indicam que apenas 10%
da população americana – índice que provavelmente bate com o número de
casos brasileiros – formam pedras na vesícula. Essa incidência, porém, é
variável. Em tribos de índios do Arizona, por exemplo, a porcentagem
alcança os 70%. Já, em algumas populações da África, está por volta de
5%. FATORES DE RISCO Drauzio – Dentro da mesma população, quais são as pessoas com maior probabilidade de desenvolver pedras na vesícula? Marcelo Averbach – São as mulheres em idade fértil, obesas e por volta dos 40 anos. Em inglês, definem-se os fatores de risco como os quatro F: Female, Fertile, Fourty, Fat.
Provavelmente, o estrógeno atua não só na descarga das substâncias que
se precipitam, especialmente o colesterol, como também provoca certo
relaxamento da vesícula biliar, fazendo com que haja estase, ou seja,
estagnação de um líquido que facilita a sedimentação dos sais e do
colesterol. Drauzio – Há outras enfermidades que favorecem a formação de cálculos na vesícula? Marcelo Averbach – Lesões pépticas, como as úlceras
duodenais, favorecem a formação de cálculos, porque provocam certa
estase na vesícula. Pacientes submetidos a cirurgias gástricas para
tratamento de câncer e de úlcerasou a vagotomias, que podem resultar na secção de pequenos nervos, têm propensão maior para formar cálculos biliares. SINTOMAS Drauzio –Que sintomas provocam os cálculos na vesícula? Marcelo Averbach – Grande parte dos cálculos
biliares são assintomáticos e diagnosticados acidentalmente durante um
exame de rotina, ou check-up, ou ainda porque a pessoa procurou o médico
para acompanhamento de outra doença qualquer. Há pacientes que morrem
sem saber que tinham pedras na vesícula. Uma parte, porém, apresenta
principalmente intolerância a alimentos gordurosos, como frituras, gema
de ovo, carne gorda, etc. Isso acontece porque, ao chegar ao duodeno, a
gordura estimula a contração da vesícula, o que provoca mal-estar, dor
localizada no lado direito do abdômen, dor de cabeça, distensão
abdominal. Enjoo é outro sintoma muito frequente e algumas pessoas
chegam a vomitar. Drauzio – Esses sintomas caracterizam o
quadro crônico dos cálculos biliares, um quadro de intensidade variável
que provoca , às vezes, pequeno desconforto, às vezes, dor mais forte.
Quais são os sintomas provocados pelas crises agudas de pedra na
vesícula? Marcelo Averbach – Pacientes assintomáticos ou que
sentiam pequeno desconforto, quando ingeriam alimentos gordurosos, de
uma hora para outra podem apresentar dor forte, aguda e intensa do lado
direito do abdômen, acompanhada de febre e icterícia. Esses sintomas são
indicativos do quadro de colecistite aguda, isto é, de inflamação aguda
da vesícula decorrente de uma doença crônica. Drauzio – Os doentes definem essa dor como a de uma faca encravada na vesícula… Marcelo Averbach – É uma dor súbita, muito forte e localizada, e o abdômen fica endurecido. Drauzio –O que justifica o aparecimento da crise de colecistite aguda? Marcelo Averbach – A colecistite aguda pode ocorrer
quando uma pedrinha fica impactada, bloqueando a saída da vesícula, que
se distende, e a bile é reabsorvida pela parede vesicular. Essa mesma
parede começa a secretar um tipo de muco que faz o órgão aumentar de
tamanho. A distensão abrupta da vesícula provoca dor intensa e sensação
de pressão do lado direito do abdômen e está frequentemente associada a
um quadro infeccioso chamado de hidropsia da vesícula. Drauzio – Dor repentina, aguda e fortíssima do lado direito do abdômen também é sintoma dos cálculos renais. Como se confirma a suspeita de que é provocada por pedras na vesícula? Marcelo Averbach – A melhor forma de fazer o
diagnóstico diferencial é pedir um ultrassom do abdômen para verificar
se existem cálculos, qual é sua localização e se há um processo
inflamatório. O ultrassom mostra também se as vias biliares estão livres
ou comprometidas por pequenas pedras. Veja também: Cálculo biliar TRATAMENTO Drauzio – Quando o exame de ultrassom revela que o cálculo encravou na saída da vesícula ou no colédoco, qual é o tratamento indicado? Marcelo Averbach – O tratamento é cirúrgico, a não
ser que o paciente apresente contraindicações para realizar a cirurgia.
Tudo depende dos riscos e benefícios que a colicistectomia, isto é, a
retirada da vesícula biliar, possa trazer. Se houver algum fator
indicativo de maior gravidade, tenta-se o tratamento clínico com
antibióticos e jejum. Drauzio – Existe alguma técnica que permita romper os cálculos localizados na vesícula biliar? Marcelo Averbach – Não existe. A conduta continua
sendo a retirada da vesícula biliar. Antigamente, diga-se de passagem, a
cirurgia da vesícula era um procedimento complexo que exigia incisão
grande, uso de sondas e internação hospitalar de cinco a sete dias.
Hoje, pode ser feita por via laparoscópica, através de quatro punções no
abdômen. Por uma delas entra um sistema ótico conectado a uma
microcâmera e a colescistectomia é feita com o médico olhando num
monitor de televisão. A grande vantagem desse procedimento é a
recuperação do paciente. Um dia depois da cirurgia, ele recebe alta e
vai para casa quase sem dor. Drauzio–Muitas
vezes, pacientes assintomáticos descobrem por acaso que têm cálculos
biliares e são encaminhados para um especialista que propõe a retirada
preventiva da vesícula calculosa para evitar as complicações de um
quadro agudo. Isso os desconcerta um pouco, já que não sentem nada. Como
resolver essa situação? Marcelo Averbach – A respeito desse assunto, há
trabalhos com pontos de vista conflitantes, publicados em revistas
médicas de primeiríssima linha. Uns defendem que o paciente
assintomático deve ser operado. Outros propõem que pacientes com
cálculos biliares, mas sem sintomas, devem ser simplesmente
acompanhados. Pessoalmente, acho que paciente jovem, com baixo risco
cirúrgico, mesmo sem sintomas, deve ser operado para evitar as
complicações de um quadro agudo. Entre as complicações, a primeira é a
colecistite aguda provocada pelo cálculo encravado na saída da vesícula.
A segunda é a icterícia obstrutiva causada pela movimentação de pedras
menores que saem da vesícula e chegam ao colédoco. Nesse caso, a
passagem da bile secretada pelo fígado é bloqueada, não consegue escoar e
a pele do paciente adquire um tom amarelado. A terceira é a pancreatite
aguda de origem biliar. Como existe certa relação entre a desembocadura
da via biliar e a desembocadura do canal de Wirsung do pâncreas, a
pedra parando ou simplesmente passando por ali pode interferir no
escoamento do suco pancreático e gerar um processo inflamatório de maior
gravidade. Por isso, o tratamento de pacientes assintomáticos deve
levar em consideração os riscos advindos das complicações e os riscos
cirúrgicos. A última palavra, porém, é sempre dada pelo paciente. Drauzio – Se uma pessoa com cálculos na vesícula não quer ser operada, que restrições alimentares você recomenda? Marcelo Averbach – Recomendo que evite comer
alimentos gordurosos, pois estimulam a contração da vesícula quando
chegam ao duodeno. Como resultado dessa contração, os cálculos podem ser
empurrados para dentro das vias biliares e isso é o que menos se
deseja. Drauzio –Como é o pós-operatório dos pacientes que não apresentam contraindicações para a cirurgia? Marcelo Averbach – Costuma ser muito tranquilo. O
paciente é operado num dia, no outro volta para casa com pouquíssima dor
e logo retoma as atividades habituais. Por isso, a cirurgia para
retirar as pedras da vesícula é indicada mesmo para os pacientes
assintomáticos. Drauzio – A perda da vesícula implica alguma restrição futura? Marcelo Averbach – É óbvio que a vesícula biliar tem
uma função e não deve ser retirada se estiver saudável. No entanto,
quando a colecistectomia é necessária, o colédoco dilata e passa a
armazenar a bile. Daí em diante, o indivíduo operado pode levar vida
absolutamente normal. Drauzio –Ele consegue comer uma feijoada, por exemplo? Marcelo Averbach – Muitas vezes, consegue comer
melhor do que comia antes, porque não tem a vesícula doente que lhe
causava sintomas desagradáveis. Drauzio – Em condições especiais, é possível retirar a pedra na vesícula por endoscopia. Como é realizado esse procedimento? Marcelo Averbach – Pode-se retirar por via
endoscópica a pedrinha produzida na vesícula que migrou para o colédoco.
Pedra encravada no colédoco deixa o doente amarelo, com icterícia. Para
retirá-la, o endoscopista introduz o aparelho até o duodeno do
paciente, visualiza a papila onde se implanta a via biliar, faz uma
pequena incisão e retira o cálculo. Mesmo assim, a cirurgia pode ser
necessária para tirar a vesícula doente que gerou o problema. Drauzio – Se for uma pedra única, o problema estará resolvido? Marcelo Averbach – Não necessariamente, porque se
trata de uma vesícula com colecistopatia crônica, isto é, com inflamação
crônica que, a rigor, requer tratamento cirúrgico. PERGUNTAS ENVIADAS POR E-MAIL Cristiane Melo Rocha – Sorriso/MT – Existem alimentos que ajudam a eliminar pedras na vesícula? Marcelo Averbach – Desconheço se existem alimentos
com o poder mágico de eliminar pedras na vesícula. Se existirem, esses
cálculos terão de passar pelo colédoco, o canal da bile, e há o risco de
não progredirem até o duodeno, o que pode provocar as complicações
mencionadas anteriormente. Patrick Fonte Araújo – São Gotardo/MG – A cirurgia a laser é melhor do que a cirurgia convencional?
Marcelo Averbach– As pessoas
costumam confundir laser com cirurgia laparoscópica. Laser, na verdade, é
uma forma de energia que poderia substituir o bisturi elétrico e não
vejo vantagem em usá-lo na cirurgia da vesícula. Quanto à cirurgia
laparoscópica, essa apresenta enorme vantagem se comparada com a
cirurgia convencional, por causa dos benefícios que traz no
pós-operatório, no controle da dor e na recuperação efetiva do paciente. Adriano Boff Mathias – Porto Alegre/RS – Quais são as causas da formação de cálculos biliares? A alimentação pode interferir nesse processo? Marcelo Averbach – A formação de cálculos biliares,
que ocorre por precipitação de substâncias dissolvidas na bile,
sobretudo os sais, os bilirrubinatos e o colesterol, está mais associada
a características metabólicas, hereditárias e orgânicas do que à
ingesta alimentar. Silvia Botelho – São Paulo/SP – Quem teve cálculo renal corre maior risco de apresentar pedras na vesícula? Marcelo Averbach – Não, porque são quadros metabolicamente muito distintos.
O açúcar, consumido em todas as mesas, é
a base da nossa energia. Quimicamente, os açúcares são classificados
como carboidratos ou hidratos de carbono, sendo encontrados na forma de
monossacarídeos, oligossacarídeos ou polissacarídeos. No singular, o
termo refere-se à sacarose, carboidrato encontrado em maior proporção no
açúcar mundial e que é classificado como um dissacarídeo, formado por
dois monossacarídeos, a glicose e a frutose.
Frente às decorrências dos açúcares sobre a saúde, estes são divididos
em dois grupos: os que são encontrados naturalmente nos alimentos, como a
frutose presente nas frutas e a lactose presente no leite; e, aqueles
extraídos de matérias-primas sacarinas, como a sacarose (de
cana-de-açúcar ou de beterraba açucareira) e a glicose do milho. Os
açúcares podem ser classificados, quanto ao uso, como “açúcar de mesa”
ou “açúcar de adição”1.
O Brasil é o maior produtor de açúcar, tendo produzido 35,56 milhões de toneladas na safra 2014/20152.
Ao mesmo tempo, destaca-se também como grande consumidor. Uma pesquisa
realizada pela Copersucar e publicada pela União da Indústria da
Cana-de-Açúcar (UNICA)3 revelou que aproximadamente 70% dos
brasileiros ingerem açúcar mais de uma vez ao dia e cerca de 90% afirmam
gostar do produto e de consumi-lo, sendo que apenas 26% (neste grupo
estão inclusos os insulinorresistentes) evitam ingeri-lo (UNICA, 2014).
Os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprovam essa
realidade ao mensurar o consumo anual médio per capita para açúcar
cristal (8,038 kg) e para o refinado (3,16 kg) em 2008/2009. Estes são
os dois tipos mais consumidos no País4, embora existam outros
tipos de açúcar cujo consumo encontra-se concentrado a grupos
específicos, como os que focam no quesito saudabilidade na alimentação,
por exemplo.
Por outro lado, a problemática envolvendo o açúcar está na quantidade
adicionada aos alimentos processados pela indústria e, consequentemente,
ingerida. Assim, houve uma alteração no padrão de consumo pelos
brasileiros que, ao longo dos últimos 15 anos, reduziram a ingestão do
açúcar de mesa, enquanto houve aumento na parcela de açúcar adicionado
aos alimentos consumidos, especialmente por meio do consumo de alimentos
ultraprocessados, como refrigerantes e biscoitos1.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o uso diário para
adultos seja de cerca de 10% das calorias ingeridas diariamente, o que
equivale, numa dieta de 2.000 quilocalorias (kcal) diárias, a quatro
colheres de sopa rasas, aproximadamente. Essa porção inclui tanto a
colherzinha que adoça o cafezinho quanto o açúcar usado na receita do
bolo ou qualquer outro alimento processado.
Considerando este quesito, alguns estudos apontam que a participação dos
açúcares de adição na disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil
atingiu 16,7% do total de calorias, ultrapassando o limite máximo
recomendado pela OMS. Dentre os alimentos, os refrigerantes e biscoitos
foram os que tiveram o consumo aumentado em mais de 100% nos últimos
anos, em função do aumento de renda e, consequentemente, maior acesso a
esses alimentos. Em paralelo ao alto consumo, encontram-se campanhas
governamentais e de organizações não governamentais (ONGs) que mostram
os riscos e problemas associados ao consumo exagerado e constante de
açúcar e maus hábitos (sejam alimentares e físicos), como o
desenvolvimento da obesidade, resistência à insulina e diabetes tipo 2
(LEVY et al., 2012; UNICA, 2014).
Entretanto, existe uma disseminação de informações errôneas e de fontes
não confiáveis acerca desta problemática. Sabe-se que o consumo moderado
de açúcar não causa malefícios à saúde do consumidor (considerando-se
que este não apresente resistência à insulina e problemas afins), assim
como no caso do açúcar intrínseco ao alimento, não tendo sido comprovada
qualquer evidência de malefício à saúde.
Os problemas metabólicos que a sociedade atual enfrenta não são
decorrentes do consumo de sacarose, apenas, mas do hábito alimentar
desbalanceado (a relação “quantidade de calorias ingeridas x nutrientes”
encontra-se em desequilíbrio) aliado a estilos de vida sedentários.
Assim, destaca-se a importância de políticas públicas de ensino à
população acerca do tema, com a finalidade de desmistificar o açúcar
como o vilão das dietas e apontar que as escolhas dos alimentos que as
compõem, assim como os hábitos de vida do indivíduo, são responsáveis
pelo padrão de saúde que ele apresenta. Portanto, não existe o “vilão”
ou o “mocinho” das dietas, mas a construção de hábitos que visam à
manutenção da saúde e prevenção de doenças, não sendo necessário que uma
pessoa rompa com a relação cultural que mantém com certos alimentos,
mas que esta seja reelaborada em função de padrões dietéticos
equilibrados (nutrientes) e demandas energéticas individuais (ingestão
de calorias) (LEVY et al., 2012; UNICA, 2014).
Sandra Helena da Cruz - Bacharel em Química
Docente do Curso Ciências dos Alimentos– ESALQ/USP
E-mail: shcruz@usp.br
Anna Flavia de Souza Silva – Bacharel em Ciências dos Alimentos
Mestranda em Ciência e Tecnologia de Alimentos
E-mail: annafssilva@gmail.com
Referências:
1 LEVY, R. B. et al. Disponibilidade de "açúcares de adição"
no Brasil: distribuição, fontes alimentares e tendência temporal. Rev.
bras. epidemiol. [online]. 2012, vol. 15, n. 1, pp. 3-12. ISSN
1415-790X.
2 CONAB. Acompanhamento da Safra Brasileira Cana-de-Açúcar (4º Levantamento), safra 2014/2015. Disponível em: http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/ 15_04_13_08_45_51_boletim_cana_portugues_-_4o_lev_-_14-15.pdf. Acesso em 16/04/2015
3 UNICA – União da Indústria da Cana-de-Açúcar. Açúcar, uma
preferência nacional. Publicação Eletrônica de 30/09/2014. Disponível
em: http://www.unica.com.br/noticia/ 95853649203119433/ acucar-por-cento2C-umapreferencia-nacional/. Acesso em 12/05/2014
LEVY, R.B. et al. Disponibilidade de “açúcares de adição” no Brasil:
distribuição, fontes alimentares e tendência temporal. Rev Bras
Epidemiol 15(1): 3-12, 2012.
OLIVEIRA, D.T.; ESQUIAVETO, M.M.M.; SILVA-JUNIOR, J.F. Impacto dos itens
da especificação do açúcar na indústria alimentícia. Ciência e
Tecnologia de Alimentos, Campinas, v. 27, p. 99-102, 2007.